Semana de Oração fortalece propósito e humanização nos hospitais adventistas

Com o tema “Ele Vai Agir”, programação realizada nos hospitais adventistas de Belém e Barcarena promoveu reflexões sobre dor, medo, relacionamentos, escolhas e fé e reforçou o cuidado integral com os colaboradores.

A rotina de um hospital é feita de decisões, responsabilidades e encontros com pessoas que, muitas vezes, atravessam momentos de dor, medo e incerteza. Quem está do outro lado desse cuidado também carrega suas próprias histórias, preocupações e desafios.

Foi a partir desse olhar para quem cuida que os hospitais adventistas de Belém e Barcarena realizaram, de 20 a 24 de julho, a Semana de Oração “Ele Vai Agir”. Durante cinco dias, colaboradores foram convidados a interromper por alguns momentos a rotina de trabalho para refletir sobre sofrimento, medo, escolhas, relacionamentos, fé e propósito.

A iniciativa integra uma cultura que busca compreender o colaborador de maneira integral e fortalecer valores que também repercutem na assistência oferecida aos pacientes.

Para o diretor espiritual das unidades de Belém e Barcarena, Carlos Escopel, cuidar de quem diariamente se dedica ao outro é parte dessa proposta.

“O colaborador não é apenas um profissional ou um número dentro da instituição. Ele é uma pessoa com sentimentos, necessidades, desafios e uma história de vida”, afirma.

Segundo ele, as equipes hospitalares convivem diariamente com sofrimento, perdas, ansiedade, decisões difíceis e grandes responsabilidades. Nesse contexto, momentos de oração e reflexão oferecem uma oportunidade de fortalecimento da fé e renovação da esperança.

Temas que partem de necessidades humanas

Responsável pelas mensagens apresentadas durante a semana, o diretor executivo espiritual da Adventist Health Brasil, Pr. Josué Espinoza Henríquez, explica que a escolha dos assuntos partiu de experiências comuns à vida humana.

Ao longo da programação, os colaboradores refletiram sobre temas como “Viver é sofrimento?”, “Os rostos do medo”, “Eu sou o que escolho ser”, “Vitaminas para a vida” e “Por que está hesitando?”.

“Precisamos ter segurança, sentido, senso de pertencimento e respostas para perguntas essenciais da vida. Preparei as temáticas pensando nessas necessidades que todos temos”, explica.

Dentro do ambiente hospitalar, essas reflexões ganham um significado particular. Profissionais convivem diariamente com pessoas fragilizadas pela doença e com familiares que enfrentam dúvidas, perdas e expectativas em relação ao tratamento.

Para o Pr. Josué, refletir sobre essas experiências à luz da fé também ajuda os profissionais a compreenderem melhor o propósito do trabalho que realizam.

“Trabalhamos com a dor, com perdas e com os problemas de saúde das pessoas. Quando refletimos sobre essa realidade e também sobre os princípios e orientações da Palavra de Deus, somos fortalecidos e preparados para enfrentar esses desafios e ajudar as pessoas de forma mais completa”, destaca.

Humanização começa também pelo colaborador

A relação entre cuidado com o colaborador e humanização da assistência é um dos pontos centrais da proposta.

Para o Pr. Carlos Escopel, uma instituição que deseja oferecer uma experiência humana aos pacientes também precisa construir relações internas baseadas em dignidade, respeito, escuta e acolhimento.

“A gestão humanizada começa pelo reconhecimento de que toda pessoa deve ser tratada com dignidade, respeito, empatia e atenção. Humanizar a gestão não significa apenas oferecer boas condições de trabalho, mas criar um ambiente em que as pessoas se sintam vistas, ouvidas e respeitadas”, explica.

Esse cuidado pode alcançar o paciente nas atitudes mais simples da rotina.

Segundo o diretor espiritual, colaboradores emocional e espiritualmente fortalecidos têm melhores condições de lidar com a pressão e o sofrimento presentes no ambiente hospitalar e de perceber quem está sendo atendido para além de sua condição clínica.

“Muitas vezes, um olhar atencioso, uma palavra respeitosa ou alguns minutos de escuta fazem uma grande diferença na experiência do paciente. O cuidado oferecido aos colaboradores se multiplica e chega até o paciente por meio de atitudes mais empáticas, sensíveis e humanas”, afirma.

Uma pausa para reencontrar o propósito

Para quem participa da programação, esses momentos também funcionam como uma oportunidade de reorganizar prioridades em meio às demandas do trabalho.

Supervisora do Setor de Nutrição e Dietética (SND), Camyla Melém conta que a Semana de Oração representa um convite para retomar o sentido que está por trás das atividades realizadas diariamente.

“No dia a dia, é comum sermos atropelados pelas demandas e por todas as questões que envolvem o trabalho. Esse momento é importante para reflexão e para ajuste de perspectiva, para que estejamos alinhados à nossa verdadeira missão”, relata.

Entre as mensagens que mais chamaram sua atenção estiveram as reflexões sobre os relacionamentos. Para Camyla, os ensinamentos compartilhados durante a semana não ficam restritos aos momentos de oração.

“Não tem como isso não influenciar de maneira positiva nos relacionamentos. Esses ensinamentos acabam sendo refletidos nas nossas ações do dia a dia, tanto com os nossos colegas quanto com os nossos pacientes”, afirma.

Ela também destaca o sentimento de acolhimento proporcionado por uma instituição que dedica atenção não apenas às competências profissionais dos colaboradores, mas também à dimensão espiritual.

“É um diferencial da instituição adventista essa preocupação com o espiritual não somente do paciente que atendemos, mas também do colaborador. Esses momentos são importantes para que estejamos sempre sendo fortalecidos, e isso vai refletir no nosso trabalho e também em casa”, acrescenta.

Pertencer a uma missão

Além do cuidado individual, a Semana de Oração também contribui para aproximar os colaboradores do propósito institucional.

Para o Pr. Josué, compreender o significado do trabalho realizado dentro de uma instituição adventista ajuda cada profissional a enxergar sua atividade para além da função que exerce.

“A espiritualidade não é apenas orar e participar da Semana de Oração. Quando estou servindo, atendendo um paciente ou realizando um processo, também estou vivendo essa dimensão espiritual. Tudo o que fazemos tem uma identidade e um propósito”, explica.

Essa compreensão está diretamente ligada à missão de servir, curar e salvar.

Servir se manifesta na disponibilidade para atender às necessidades do outro. Curar ultrapassa a realização de procedimentos e inclui aliviar a dor, oferecer segurança e conforto. Salvar, dentro da identidade institucional adventista, também está relacionado à esperança e ao cuidado espiritual oferecidos nos momentos de maior vulnerabilidade.

“O tema ‘Ele Vai Agir’ fala de propósito e de uma missão. Quando esse senso está profundamente marcado no coração, estamos mais preparados para cumprir a missão de servir, curar e salvar”, afirma o Pr. Josué.

Para o Pr. Escopel, essa missão não pertence exclusivamente às equipes assistenciais ou à capelania. Ela pode ser vivenciada por quem lidera, atende, organiza, administra ou presta apoio às diferentes áreas do hospital.

“Uma instituição que possui a missão de cuidar da vida precisa começar cuidando daqueles que todos os dias tornam essa missão possível”, conclui.

Ao abrir espaço para que colaboradores reflitam sobre suas próprias dores, relacionamentos, escolhas, medos e esperanças, a Semana de Oração reforça uma compreensão presente na cultura dos hospitais adventistas: antes de chegar ao paciente, o cuidado também precisa alcançar quem estará ao lado dele.

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