Campanha amplia conscientização sobre leucemia e outras doenças da medula óssea, destacando prevenção, informação segura e cuidado especializado.
Antes de qualquer sintoma ganhar nome, há um movimento contínuo acontecendo dentro de nós.
O sangue percorre artérias, alcança órgãos, atravessa capilares e sustenta cada célula. Transporta oxigênio, combate infecções, regula funções vitais. É parte essencial do sistema cardiovascular, mas sua influência vai além — ele toca praticamente todos os tecidos do corpo humano.
Quando sua composição se altera, não é apenas um número que muda. É um sinal.
Neste Fevereiro Laranja, as unidades Belém e Barcarena reforçam à sociedade a atenção às doenças do sangue e da medula óssea, levando informação segura, orientação especializada e incentivo à realização de exames preventivos. Ouvir o que o sangue revela — muitas vezes por meio de um simples hemograma — pode mudar o rumo de uma história antes que ela se torne urgente.
E, para algumas pessoas, essa mudança começa exatamente assim.

O exame que trouxe respostas
Em abril de 2024, Gleiciane de Souza Farias, 36 anos, começou a sentir que algo estava diferente. Dores abdominais persistentes. Fadiga que não combinava com a rotina. Sudorese leve durante a noite.
Ela atribuiu ao cansaço. À correria do dia a dia.
Mas os incômodos aumentaram. As dores passaram a limitar movimentos. Foi quando decidiu procurar atendimento.
O hemograma apontou alterações importantes nas plaquetas. A internação veio como medida de cautela. Exames complementares foram solicitados. Como não houve melhora clínica, ela foi encaminhada para Belém.
Ali, a investigação ganhou profundidade.
A suspeita de Leucemia Linfocítica Aguda surgiu a partir da análise clínica e laboratorial. O que parecia apenas exaustão revelou uma alteração grave na medula óssea — o tecido responsável pela produção das células sanguíneas.
“Foi tudo muito abrupto”, relembra.

O que é a leucemia e por que o diagnóstico precoce faz diferença
A leucemia é um câncer que tem origem na medula óssea. Nessa condição, o organismo passa a produzir glóbulos brancos imaturos e anormais, que comprometem a produção saudável das demais células do sangue.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer, mais de 10 mil novos casos da doença são diagnosticados anualmente no Brasil. Ela está entre os tipos de câncer mais incidentes no país e é o mais comum na infância.
A médica hematologista Lorena Storch Pantoja explica que muitos quadros começam de forma silenciosa.
Cansaço persistente, palidez, manchas roxas sem trauma, sangramentos frequentes, febre sem causa aparente, perda de peso inexplicada e aumento de gânglios são sinais que merecem atenção.
“Muitas vezes, esses sintomas são atribuídos ao estresse ou à rotina intensa. Um exame simples pode indicar que algo precisa ser investigado”, orienta.
É por isso que a realização de exames laboratoriais periódicos tem papel decisivo. Um hemograma completo pode ser o primeiro passo para identificar alterações e permitir investigação precoce.
Não é sentença, é diagnóstico
O medo é uma reação natural diante da palavra câncer. Gleiciane lembra que a insegurança foi imediata.
O receio de não voltar para casa.
De não ver a filha.
De ter a vida interrompida.
Mas a informação correta muda a perspectiva.
Um dos principais mitos sobre a leucemia é acreditar que se trata de uma doença sem tratamento ou sem chances de controle. Não é verdade. Existem diferentes tipos — agudos e crônicos, mieloides e linfoides — e cada um possui condutas específicas.
Com os avanços da hematologia, terapias-alvo, imunoterapia e transplante de medula óssea tornaram-se mais seguros e eficazes. Quando o diagnóstico ocorre em fases iniciais, as chances de resposta ao tratamento são significativamente maiores.
“Receber o diagnóstico não significa uma sentença, mas o início de um tratamento que pode oferecer controle, qualidade de vida e esperança”, reforça a especialista.
Doação de medula óssea: um gesto que pode reescrever destinos
Para alguns pacientes, o transplante de medula óssea representa a possibilidade real de cura. O procedimento substitui a medula doente por células saudáveis capazes de restabelecer a produção normal do sangue.
O cadastro como doador é simples e começa com a coleta de uma pequena amostra de sangue para identificação genética. Os dados são inseridos no banco nacional coordenado pelo Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea, ampliando as chances de compatibilidade em todo o país.
“A doação é um ato de solidariedade que pode salvar vidas”, destaca a especialista. Quanto maior o número de pessoas cadastradas, maiores são as possibilidades de encontrar compatibilidade para quem aguarda por um transplante.
Falar sobre leucemia também é falar sobre responsabilidade coletiva.
O cuidado que vai além do tratamento
O impacto da doença não é apenas físico. Há mudanças na rotina, afastamento do trabalho, reorganização familiar e desafios emocionais.
“Foi difícil ficar longe de casa e pausar meus sonhos”, conta Gleiciane.
Mas também houve acolhimento.
Ela destaca o cuidado recebido desde a equipe de limpeza até os médicos. As visitas com música e oração fortaleceram sua fé e ofereceram suporte espiritual durante as internações.
Essa assistência multiprofissional — que integra acompanhamento clínico, suporte emocional e orientação contínua — expressa o compromisso das unidades Belém e Barcarena com um cuidado integral e humanizado.
Mais do que tratar doenças, a instituição atua na promoção da saúde preventiva, disponibilizando consultas especializadas, exames laboratoriais, acompanhamento com hematologista e orientação clara sobre sinais de alerta.
