Setembro Amarelo amplia espaços de escuta e cuidado com a saúde mental dos colaboradores

RMM reuniu dinâmica que levaram reflexões sobre autocuidado, acolhimento e redes de apoio.

Um passo à frente. Depois outro. A cada pergunta feita, colaboradores que se reconheciam naquela situação avançavam pelos corredores. Já haviam chorado sem saber exatamente o motivo? Sorrido para outras pessoas mesmo quando, por dentro, não estavam bem? Sentido solidão mesmo cercados por gente? Querido conversar ou desabafar, mas não encontrado coragem?

A dinâmica fez parte da RMM (Reunião de Motivação para Missão), transformou experiências que muitas vezes permanecem silenciosas em uma reflexão coletiva sobre saúde emocional. Sob a mensagem “Escutar é estar presente”, o encontro integrou a programação desenvolvida pelo HABa em alusão a campanha Setembro Amarelo.

Uma manhã para falar sobre presença e cuidado

A RMM começou com um momento de louvor e oração. Na sequência, uma breve contextualização sobre o Setembro Amarelo introduziu a proposta da manhã e a importância de abrir espaços para falar sobre prevenção do suicídio, saúde emocional e busca por ajuda.

O fisioterapeuta do Trabalho Luiz Augusto conduziu, então, uma dinâmica de autoconhecimento. Os participantes permaneceram em pé nos corredores do auditório e eram convidados a dar um passo à frente sempre que se reconhecessem nas situações apresentadas.

As perguntas abordaram experiências como sentir-se sozinho mesmo estando cercado de pessoas, esconder o choro, passar uma noite inteira pensando em um problema, sentir-se insuficiente ou desejar conversar sobre algo difícil sem conseguir pedir ajuda.

Ao final, os passos dados pelos participantes ajudaram a traduzir a mensagem proposta pela atividade: por trás da rotina, cada pessoa pode carregar sentimentos, dificuldades e histórias que nem sempre são percebidos por quem está próximo. A reflexão reforçou a importância de olhar para o outro com atenção, empatia e disposição para ouvir.

A programação também trouxe a dimensão espiritual do cuidado, com referências bíblicas sobre presença, acolhimento e esperança em momentos de dor e solidão.

Uma pausa chamada “Cuidar de Mim”

Desenvolvido pelo RH, com participação da Psicologia Organizacional, Educação Permanente e Fisioterapia do Trabalho, além do apoio da Capelania, o “Cuidar de Mim” levou aos setores atividades de autoconhecimento, relaxamento e reflexão sobre emoções, limites pessoais e relacionamentos.

A proposta, segundo a psicóloga Bárbara Alves, foi criar uma pequena interrupção no ritmo habitual de trabalho para que cada profissional pudesse voltar a atenção para si.

“O Momento ‘Cuidar de Mim’ foi pensado como uma pausa na rotina, um espaço para que os colaboradores pudessem olhar um pouco mais para si mesmos”, afirma. “Também buscamos trazer uma reflexão sobre os relacionamentos, entendendo a importância de construir vínculos saudáveis e reconhecer quando é necessário pedir ou oferecer apoio.”

Nesse processo, a escuta também ocupou lugar central.

“A escuta e o acolhimento entre colegas são fundamentais para promover um ambiente de trabalho mais saudável e humano. Quando as pessoas se sentem ouvidas e respeitadas, tendem a perceber que não estão sozinhas diante de suas dificuldades”, acrescenta Bárbara.

Escutar também é encaminhar para ajuda

O acolhimento não significa que colegas, familiares ou amigos precisem assumir a responsabilidade de solucionar o sofrimento de alguém. Ele pode começar pela disponibilidade para ouvir e também incluir o incentivo à busca por atendimento adequado.

O Ministério da Saúde orienta que, diante de uma pessoa em sofrimento emocional, é importante encontrar um momento apropriado para conversar, ouvir de maneira aberta e acolhedora e ajudá-la a procurar apoio profissional quando necessário. O órgão também alerta que não existe uma fórmula única para identificar uma crise e que possíveis sinais precisam ser observados com atenção e dentro do contexto de cada pessoa.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, trabalha mundialmente com o tema “Changing the Narrative on Suicide” — “Mudando a narrativa sobre o suicídio”, estimulando conversas mais abertas sobre o assunto e a redução do estigma que pode dificultar a procura por ajuda.

Para Bárbara, uma das principais mensagens das ações realizadas no HAB é justamente lembrar que pedir apoio não precisa ser enfrentado como sinal de fraqueza.

“Ninguém precisa enfrentar momentos difíceis sozinho. Pedir ajuda é um ato de cuidado e coragem”, afirma.

Onde buscar ajuda

Pessoas em sofrimento emocional podem procurar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Em situações de urgência ou emergência, também estão disponíveis UPAs, prontos-socorros, hospitais e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo telefone 192.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, com atendimento 24 horas por dia em todo o Brasil.

Rua Cônego Jerônimo Pimentel, Quadra 329 - Barcarena PA

(91) 3754-7500 e 3084-7533

atendimento@hab.org.br