Quem cuida do paciente durante uma internação?

Da alimentação à recuperação dos movimentos, diferentes profissionais trabalham de forma integrada para tornar o tratamento mais seguro e favorecer a recuperação.

Depois de meses de tratamento contra um câncer ósseo agressivo, uma pizza fez Arthur Ribeiro, de 17 anos, lembrar dos encontros com os amigos antes da doença. Preparada pela equipe de Nutrição durante a internação, a refeição trouxe para dentro do hospital um pouco da rotina que existia antes do tratamento.

Aquele momento, porém, era apenas uma parte de uma rede muito maior de cuidados. Durante sua jornada, que incluiu a amputação da perna esquerda, Arthur foi acompanhado por diferentes profissionais, envolvidos em etapas distintas de sua recuperação.

A história ajuda a revelar algo que nem sempre é percebido por quem está fora de um hospital: a recuperação de um paciente é construída por muitas mãos.

Nutrição, Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina e outras áreas precisam compartilhar informações e alinhar condutas para que diferentes necessidades sejam atendidas ao longo da internação.

Essa integração estará no centro das discussões do II Simpósio de Nutrição do Hospital Adventista de Belém, que será realizado nos dias 27 e 28 de agosto e está com inscrições abertas.

A celebração da alta reuniu familiares e profissionais que acompanharam de perto a trajetória de Arthur durante o tratamento.
Crédito: Foto: ASCOM/HAB

Um paciente, diferentes profissionais

Durante uma internação, cada profissional acompanha aspectos específicos da condição do paciente. O desafio é fazer com que esses diferentes olhares se encontrem em um mesmo plano de cuidado.

A enfermeira Josenira Santana explica que a própria proximidade da Enfermagem com o paciente favorece essa conexão.

“A enfermagem atua como elo entre o paciente, a família e a equipe multiprofissional”, afirma.

Segundo Josenira, o compartilhamento de informações ajuda a alinhar o cuidado, reduzir o risco de falhas e preparar pacientes e familiares até mesmo para a continuidade da assistência após a alta.

Arthur Ribeiro recebeu alta após meses de tratamento contra um câncer ósseo agressivo. Ao longo da internação, sua recuperação contou com a atuação integrada de profissionais de diferentes áreas da assistência.
Crédito: Foto: ASCOM/HAB

Para recuperar movimentos, alimentação também importa

A relação entre Nutrição e Fisioterapia ajuda a entender, na prática, por que uma especialidade pode interferir nos resultados alcançados por outra.

“Não adianta eu querer reabilitar um paciente se ele não tem aporte nutricional suficiente para ganhar força e recuperar massa muscular”, explica a fisioterapeuta e supervisora da equipe multiprofissional, Layse Alencar.

Segundo ela, pacientes desnutridos podem apresentar mais cansaço, perda de massa muscular e recuperação mais lenta da força. O contrário também é verdadeiro: uma alimentação adequada, sozinha, não devolve funcionalidade.

Para a nutricionista Rejane Rocha, é por isso que a atuação do nutricionista no hospital não se resume à elaboração de dietas. O cuidado nutricional busca oferecer ao organismo condições para responder aos tratamentos médicos e cirúrgicos e contribuir para uma alta segura.

Durante a internação, a equipe de Nutrição personalizou a alimentação de Arthur de acordo com suas necessidades clínicas e preferências alimentares, conciliando segurança nutricional e acolhimento.
Crédito: Foto: ASCOM/HAB

Até engolir pode exigir trabalho em equipe

A integração também aparece em uma atividade tão cotidiana que raramente pensamos sobre sua complexidade: comer.

Quando uma condição clínica compromete a mastigação ou a deglutição, Fonoaudiologia e Nutrição precisam atuar de forma articulada.

O fonoaudiólogo Fernando Maués explica que essa integração é fundamental para o cuidado de pacientes com dificuldades para mastigar ou engolir, contribuindo para uma alimentação mais segura, a redução de complicações e a recuperação.

Para Layse, esse trabalho conjunto parte de um princípio simples: “Nenhum profissional faz um cuidado de excelência sozinho”.

Quando a comida alimenta também as memórias

Na longa internação de Arthur, a alimentação ganhou outro significado.

Além da pizza que o fez recordar os encontros com os amigos, havia um alimento que fazia parte de sua rotina: farofa de ovo. Era um pedido do adolescente e passou a ser preparado especialmente para ele pela equipe de Nutrição. Todos os dias, havia o cuidado para que não faltasse.

Pizza e farofa de ovo contam histórias diferentes, mas revelam como a alimentação pode ultrapassar sua função nutricional durante uma internação prolongada. Quando a condição clínica permite, considerar preferências, hábitos e memórias afetivas pode favorecer a aceitação das refeições e aproximar o paciente de referências que fazem parte de sua vida fora do hospital.

Integração no cuidado será tema de simpósio em Belém

A atuação conjunta de diferentes áreas será um dos principais debates do II Simpósio de Nutrição do Hospital Adventista de Belém, nos dias 27 e 28 de agosto.

Com o tema “Conexão no Cuidado: a Nutrição integrando saberes para um atendimento seguro e humanizado”, o evento reunirá profissionais de diferentes especialidades.

Entre os destaques está a mesa-redonda “A importância do trabalho em equipe na recuperação do paciente”, com representantes da Nutrição, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Enfermagem e Medicina.

A programação também terá discussões sobre preservação muscular, protocolo de diarreia, cultura regional aplicada aos cardápios hospitalares, jornada do paciente crítico, triagem nutricional e eixo intestino-cérebro, além de sessão de pôsteres.

As inscrições estão abertas. Os interessados podem conferir a programação completa e garantir a participação pelo

https://www.even3.com.br/2-simposio-de-nutricao-hospitalar-740903

O que mudou na edição

A principal mudança está na hierarquia da informação. O simpósio aparece ainda no início, para cumprir o objetivo de divulgação, mas não interrompe a história. Arthur conduz o leitor até a descoberta da pauta: ele não foi cuidado por uma profissão, mas por uma rede.

A recuperação de Arthur foi resultado do trabalho integrado de diferentes profissionais, que compartilharam informações e alinharam condutas durante todas as etapas da assistência.
Crédito: Foto: ASCOM/HAB

Também troquei “Por trás de um paciente, uma equipe inteira” por “Um paciente, diferentes profissionais”, mais informativo; “E quando até engolir exige trabalho em equipe?” virou “Até engolir pode exigir trabalho em equipe”, mantendo curiosidade com leitura mais direta; e trabalhei o bloco afetivo como “Quando a comida alimenta também as memórias”. Aqui há um pequeno jogo semântico, mas com função narrativa clara: é o momento em que a reportagem sai da dimensão estritamente clínica e volta à experiência de Arthur.

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