Junho Vermelho: alterações no hemograma pode revelar doenças antes mesmo dos primeiros sintomas

A Sessão Clínica do Hospital Adventista de Belém reforçou a importância do diagnóstico precoce das doenças hematológicas e da doação de sangue durante a campanha Junho Vermelho.

Raysa jamais imaginou que um exame de rotina mudaria completamente sua vida. Sem apresentar sintomas que chamassem sua atenção, ela realizou um hemograma como parte do acompanhamento periódico de saúde. O resultado trouxe alterações que motivaram uma investigação mais aprofundada. Poucos meses depois, veio o diagnóstico: linfoma de Hodgkin clássico, estágio II.

A história da paciente ilustra um alerta que ganha ainda mais relevância durante o Junho Vermelho, campanha dedicada à conscientização sobre a importância da doação de sangue. Além de incentivar esse gesto solidário, o período também convida a população a refletir sobre outro aspecto essencial: a saúde do sangue e a necessidade de investigar alterações persistentes identificadas nos exames laboratoriais.

Com esse propósito, o Hospital Adventista de Belém (HAB) promoveu, no último dia 25 de junho, uma Sessão Clínica voltada aos profissionais da instituição. Ministrada pela onco-hematologista Dra. Lorena Storch Pantoja, a atividade discutiu a importância do diagnóstico precoce das doenças hematológicas, a interpretação adequada do hemograma e o papel da doação de sangue no tratamento desses pacientes.

Raysa descobriu um linfoma de Hodgkin após alterações identificadas em exames de rotina. Hoje, em remissão, ela compartilha sua história para conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento médico e da doação de sangue. Foto: Vanessa Rodrigues/HAB

Um exame simples que fez toda a diferença

Embora não sentisse nada diferente em seu dia a dia, Raysa decidiu manter os exames preventivos em dia. Foi justamente o hemograma que revelou que algo não estava bem.

A partir das alterações identificadas, iniciou-se uma investigação que envolveu diversos exames laboratoriais e de imagem. Durante esse processo, uma tomografia identificou lesões na região do mediastino e da cervical. Posteriormente, um exame PET-CT e uma biópsia confirmaram o diagnóstico de linfoma de Hodgkin clássico.

Hoje, após enfrentar meses de tratamento, Raysa comemora a remissão da doença.

“Eu tive medo, mas nunca me desesperei. Sempre tive muita fé e certeza de que tudo daria certo. O tratamento assusta muito mais do que o diagnóstico. Foi extremamente doloroso e agressivo, mas me apeguei à fé, à medicina, ao acompanhamento psicológico e nutricional, além de manter, sempre que possível, minha rotina de treinos e de trabalho”, relata.

Ela conta que a família precisou vir para Belém para acompanhá-la durante o tratamento e que também contou com o apoio de amigas nas sessões de quimioterapia.

Alterações persistentes merecem investigação

Segundo a onco-hematologista Dra. Lorena Storch Pantoja, o maior aprendizado que casos como o de Raysa deixam é que alterações persistentes no hemograma não devem ser ignoradas.

“O hemograma é um exame simples, acessível e extremamente valioso. Muitas doenças hematológicas, incluindo alguns tipos de câncer, podem deixar os primeiros sinais justamente nele. É claro que uma alteração no hemograma não significa automaticamente um câncer, mas ela funciona como um alerta de que algo pode não estar bem”, explica.

A especialista ressalta que o exame nunca deve ser analisado isoladamente. A interpretação precisa considerar a história clínica do paciente, os sintomas e outros exames complementares.

Entre os principais sinais que merecem atenção estão anemias sem causa aparente, alterações persistentes nos leucócitos, mudanças nas plaquetas e alterações simultâneas em diferentes séries do hemograma. Quando esses achados se repetem ou aparecem associados a outros sinais clínicos, a investigação médica torna-se fundamental.

“O mais importante é não olhar apenas para um número no exame, mas para o paciente como um todo. Em muitos casos, uma investigação iniciada no momento certo permite diagnosticar doenças precocemente, quando as chances de tratamento e cura são muito maiores”, destaca a médica.

Durante a Sessão Clínica do Junho Vermelho, a onco-hematologista Dra. Lorena Storch Pantoja destacou que alterações persistentes no hemograma podem ser os primeiros sinais de doenças hematológicas e reforçou a importância da investigação precoce para ampliar as chances de diagnóstico e tratamento. Foto: Vanessa Rodrigues/HAB

Muito além da doação de sangue

Embora o Junho Vermelho seja conhecido principalmente pela conscientização sobre a doação de sangue, a campanha também representa uma oportunidade para reforçar a importância do cuidado com a própria saúde.

Para a Dra. Lorena, o diagnóstico precoce e a solidariedade caminham juntos.

“Para nós, hematologistas, a doação de sangue faz parte do tratamento dos nossos pacientes. Pessoas com leucemias, linfomas, anemias graves e outras doenças do sangue frequentemente precisam de transfusões para conseguir enfrentar a quimioterapia, controlar sangramentos e superar infecções. Diferentemente de um medicamento, o sangue não pode ser fabricado. Ele depende exclusivamente da solidariedade de quem doa”, afirma.

Embora não tenha precisado de transfusão durante o tratamento, Raysa acompanhou de perto essa realidade entre outros pacientes.

“Vi colegas que estavam passando pelo tratamento precisarem de doação de sangue. Não há ato mais generoso com o próximo do que doar sangue”, afirma.

Um convite ao cuidado

Ao compartilhar sua história, Raysa espera que outras pessoas não ignorem alterações identificadas nos exames de rotina.

“O tempo é muito valioso. Nosso corpo dá sinais progressivos de que algo não vai bem. É importante ouvir e dar atenção antes que ele entre em uma situação incapacitante. A saúde precisa ser sempre prioridade. É o que temos de mais valioso”, aconselha.

A Dra. Lorena reforça que manter consultas regulares e realizar exames preventivos continua sendo uma das formas mais eficazes de identificar precocemente doenças hematológicas e diversas outras condições de saúde.

“Se um hemograma vier alterado de forma persistente, não basta apenas repetir o exame. É importante procurar um médico para investigar a causa. Diagnóstico precoce faz diferença e, em muitas doenças hematológicas, pode significar mais chances de cura e melhor qualidade de vida.”

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